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18/11/2008 - 15h25
Aprender a pensar: um breve ensaio filosófico
É possível alguém aprender a pensar? Ninguém nasce sabendo pensar. O pensar é uma aprendizagem que o ser humano carrega para a vida toda. É uma realidade absolutamente nova em relação a tudo que existe no mundo. Nos primórdios o ser humano tinha a rudeza que apenas o separava do animal bruto. O ser humano trilhou uma longa caminhada.
Vamos pensar o pensar?
1. Do pensar espontâneo ao pensar reflexo.
Todo ser humano pensa. Mas nem sempre o faz de maneira reflexa. O pensar espontâneo fixa-se no objeto pensado. Termina praticamente aí seu processo de conhecimento. Interessa-nos aqui “aprender a pensar”. Isso significa passar de um nível espontâneo, primeiro e imediato a um nível reflexo, segundo, mediado.
2. Provocador do processo.
Como aprender a entrar nesse processo e não permanecer unicamente no simples pensamento direto, imediato, espontâneo? O segredo está em saber levantar perguntas, aprender a aprender. O segredo do pensar: alguém prenderá a pensar à medida que souber fazer-se perguntas sobre seu pensamento. A capacidade de avançar na reflexão depende de ir se fazendo perguntas, respondendo-as e, em seguida, levantando novas perguntas a estas respostas até esgotar toda a facúndia interrogativa.
3. Experiência na base da pergunta.
Há, porém, perguntas fundamentais. A elas nos referimos. Estão em jogo a vida, o ser, os valores transcendentes. Percebemos como é importante não viver totalmente envolvidos num círculo fechado de afins culturais, religiosos, humanos, que nos trancam na identidade repetitiva de nós mesmos e não permitem que nos venham a emergir perguntas fundamentais. Trata-se da experiência do diferente, da alteridade, da ruptura da “mesmidade”.
TRÊS ATITUDES PARA SABER PENSAR:
O pensar supõe um tríplice movimento a que correspondem três perguntas:
I. O que diz a realidade?
Distância: momento objetivo.
. A arte de pensar inicia com uma pergunta sobre a realidade. É um momento de humildade, de escuta, de honestidade objetiva. A arte de pensar começa com a educação da leitura, despojando-se, enquanto possível, dos preconceitos ideológicos, religiosos, dogmáticos.
II. O que me diz a realidade?
Proximidade: momento subjetivo
. Quando perguntamos a nós mesmos pela realidade, pelo texto lido, a resposta será o que assimilamos, aprendemos. Aqui mora nossa originalidade.
III. O que a realidade me faz dizer? Comunicação: momento intersubjetivo.
Não aprendemos só para nós. Existe para fazer a comunidade crescer. Cumpre uma função social e moral. Pensar termina num serviço qualificado à comunidade.
PENSAR AS PARTES NO TODO E O TODO NAS PARTES
Aprender a pensar encontra-se numa encruzilhada: a superespecialização, que fragmenta os conhecimentos de tal forma que se perde a noção do conjunto. Saber pensar é precisamente situar os problemas, as realidades em seus contextos. Um pensar multidimensional, que se opõe ao fragmentar, ao compartimentar e ao pulverizar os saberes.
A cultura do estudo e da leitura.
Cultura do estudo significa hábitos comuns, comportamentos normais, referências consensuais de que estudar, ler, não é loucura, mas deveria ser o normal de alguém que vive no mundo de hoje. Ler e estudar fora de aula e por gosto deveria ser um hábito cultivado desde os jovens anos de vida.
DINÂMICA: Exercício de distinção.
I. O ser humano é racional e irracional.
II. O ser humano é bom e é mal.
III. Lutero diz que “somos ao mesmo tempo justos e pecadores”.
IV. O Brasil é um país rico e pobre.
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04/11/2008 - 08h10
Filosofia e Sociologia no ensino médio
É comum ouvir de alunos que nunca tinham ouvido falar de Filosofia ou de Sociologia. Sabe-se que as duas disciplinas ficaram de fora da educação básica por 37 anos, de 1971 a 2008, por imposição do regime militar, de 1964 a 1985. Naquele momento, elas foram subsitituídas pelas disciplinas Educação Moral e Cívica.
A Lei sancionada pelo presidente em exercício, José Alencar, torna obrigatória a inclusão das disciplinas de Filosofia e Sociologia no currículo de todas as séries do ensino médio. É evidente que somente com a inclusão das disciplinas no currículo não vão resolver os problemas de deficiência na formação dos alunos, tornando-se uma ação “isolada”, como se elas fossem mandatárias de todo conhecimento.
Deve-se fazer uma revisão completa, pelo excesso de conteúdo. É justo reconhecer a importância das duas disciplinas. Elas contribuem para a formação de um cidadão mais crítico e reflexivo. Existem inúmeras escolas que oferecem as disciplinas nas duas séries. Filosofia na primeira série e Sociologia na segunda, a partir de uma recomendação do MEC e também em decorrência da Proposta humanística de formação da Escola, através do Projeto Político-Pedagógico.
Sendo assim, a partir de 2010, as disciplinas farão parte do currículo de todas as séries. O estudo da Filosofia ajuda no amadurecimento pessoal do aluno. Quando o aluno começa a entendê-la, daí se inicia um novo sentido para a sua vida. Mesmo para aquele aluno que vai prestar vestibular na área de engenharia ou física, pois quando se depara com a prova, requer um raciocínio para inferir uma resposta. Com a Sociologia ocorre um fator importante, pois aumenta nos alunos a capacidade de interpretação da sociedade em que vive. Filmes, música e debates são os ingredientes mais utilizados em sala de aula para a Sociologia. As aulas são interativas, fazendo uma ponte entre os autores clássicos e a atualidade. Com a Filosofia deve-se levar em conta uma formação ampla e crítica, abordando desde a filosofia antiga até a contemporânea.
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27/10/2008 - 07h50
A ESCOLHA FAZ PARTE DA VIDA
Passaram-se as ELEIÇÕES MUNICIPAIS. Somos seres de escolhas. Independente de quem ganhou ou de quem perdeu as eleições. Se esse era o melhor ou se era o pior candidato. O fato é que cada um escolheu para votar este ou aquele candidato. A nossa vida é tecida em cima de escolhas. Dia-a-dia aprendemos que escolher é um desafio. Existem indivíduos que não escolhem nada para si? Essa escolha não é nada fácil. Toda escolha é marcada pelo risco. A escolha é depositária de segredos e requer sabedoria e que não está imune de ponderações adequadas, indicações devidas e posicionamentos. Não tem outro jeito. As escolhas demarcam a nossa vida. Demarcam os nossos rumos. As nossas escolhas apontam o caminho por onde vamos caminhar. O motor da vida humana se encontra nas escolhas que fazemos ao longo da história de cada um. Lembre-se que cada um é cada um. Ninguém é igual a ninguém. Cada um tem a sua história de vida. Não importa qual. Aqui não vale o julgamento. As nossas escolhas são pontuadas através desse viéis histórico e singular que cada um carrega.
Será que é possível parar de escolher? Não, pois pararia a vida. Quando escolheu fazemos uma aposta, que exige acima de tudo, responsabilidade cidadã. Não se pode escolher de qualquer maneira. É preciso pensar, escutar, refletir. Não se pode comprometer a vida em razão de nossas escolhas equivocadas. A história já tomou caminhos amargos em razão de escolhas inadequadas. Muitos perderam o “trem da história”. Perderam oportunidades de outro porque escolheram de maneira errada. Daí que escolher supõe reflexão e discernimento. Toda escolha põe em risco a vida, a vida em maior ou menos proporção. É preciso escolher sempre! Mas é fundamental escolher bem. Escolher bem para possibilitar o bem de todos. Em cada escolha individual e, em especial, nas escolhas que envolvem a comunidade e a sociedade, pesa enorme responsabilidade, porque está em jogo o bem de muitos. A liberdade de escolher guarda riscos. Porém, sem ela não viveríamos. Viva a escolha! “Escolhe, pois!”.
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