1.
Nossa Senhora da Glória
O
município de Nossa Senhora da Glória localiza-se
na Região Nordeste do Brasil, no oeste do Estado de Sergipe,
na micro-região do alto sertão do São Francisco.
Sua
população, segundo dados do censo 2000 do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é
de 26.822 habitantes, dos quais 17.069 estão na área
urbana e 9.753 na área rural. A população
de homens e mulheres é quase equânime: 13.501 são
homens, 13.321 são mulheres.
Apresenta
latitude S: 10º12’59”, longitude W: 37º25’09”,
altitude: 300m e compreende uma área de 758,4 km2. Dista
126 Km da capital do Estado, Aracaju, através de rodovia.
Além
da sede, possui sessenta e um povoados, dentre os quais destacam-se:
Angicos, Aningas, Lagoa Bonita, Nova Esperança, São
Clemente e Lagoa grande.
Limita-se
ao norte com os municípios de Monte Alegre de Sergipe e
Porto da Folha; ao sul, com os municípios de Carira, Nossa
Senhora Aparecida e São Miguel do Aleixo; ao leste, com
os municípios de Gararu, Feira Nova e Graccho Cardoso e
ao oeste, com parte do município de Carira e com o estado
da Bahia.
Apresenta
clima megatérmico semi-árido com precipitações
médias anuais de 702,4mm3, temperatura média anual
de 24,2 (ºC); seu período de chuvas se estende do
mês de março ao mês de agosto. Seu solo é
do tipo massapê, argila arenoso e franco argiloso, apto
à exploração de cultura de subsistência
e pecuária. Sua vegetação predominante é
a caatinga e seu regime hidrográfico compreende o rio Sergipe
e riachos sazonais (Capivara, Monteté e Piabas), Bacia
do São Francisco.
1.1. História
Segundo
dados colhidos de relatórios feitos pela Universidade Tiradentes
baseados no IBGE dos anos de 1991 a 1996 cedidos pela Secretaria
Municipal de Educação, Esporte, Cultura e Lazer
de Nossa Senhora da Glória, as terras em que hoje se erigiu
o município teriam pertencido, no início do século
XVII, a Tomé da Rocha Malheiros. O historiador Carvalho
Lima Júnior teria afirmado que uma sesmaria de 10 léguas,
a partir da Serra Tabanga, estendendo-se para o sertão,
ter-se-ia tornado posse daquele beneficiário.
À
medida que a economia pastoril se desenvolvia pelo sertão
sergipano, através da instalação de currais
de gado, o conseqüente processo de ocupação
espacial e modificação do meio para a instalação
de futuras comunidades foi, pouco a pouco, devastando a mata de
vegetação muito alta e densa que cobria o solo daquela
região. Entretanto, por ser rota obrigatória para
os que vinham de outras regiões, antes de surgirem as primeiras
povoações, o local serviu de ponto de descanso no
qual pernoitavam os viajantes que se dirigiam a Cotinguiba interessados
na compra de açúcar e jabá. Sua primeira
denominação, “Boca da Mata”, segundo
relatam os glorienses mais idosos, deu-se por conta desses viajantes,
pois tinham medo de seguir suas rotas durante a noite e ali, na
entrada da mata, dormiam. Disso surgiu uma expressão que
se tornou comum entre eles: “dormir na boca da mata”.
Daí a origem da toponímia.
Os
ranchos que ali se fizeram por conta dessas estadas dos tropeiros,
durante as viagens, originaram o primeiro núcleo habitacional.
O surgimento do povoado foi se dando entre terras, onde se começou
uma modesta atividade pecuária, e sítios, onde se
começava a plantar mandioca, milho, feijão e algodão.
Em
1922, a lei nº 835 de 06 de fevereiro, constituiu o então
povoado “Boca da Mata” como 2º Distrito de Paz
do município de Gararu. A partir daí, sua denominação
oficial passou a ser Nossa Senhora da Glória. Em 26 de
Setembro de 1928, deu-se a Emancipação Política
do Município pela lei nº 1.014.
O
nome Nossa Senhora da Glória, segundo informam as pessoas
mais antigas do lugar, foi iniciativa do Pe. Francisco Gonçalves
Lima, seu primeiro capelão, que trouxe a imagem da referida
santa, consagrada então padroeira do lugar, e o sino para
a primeira capela.
1.2. Economia
Atualmente,
a economia do município baseia-se substancialmente no setor
primário. Uma de suas principais atividades econômicas
é a pecuária, com destaque para as atividades de
bovinocultura, ovinocaprinocultura, suinocultura e a criação
de animais de pequeno porte como frangos.
O
rebanho bovino do município, como o de toda a região
do semi-árido, varia de acordo com o tempo. Em sua maior
parte, destina-se à produção leiteira; o
restante, ao abate. Os índices médios de produtividade
de Nossa Senhora da Glória ficam em torno de 720 litros
de leite anuais por cabeça, o que eqüivale a uma produção
anual de algo próximo de 24.120.000 litros. A maior parte
dessa produção é absorvida pelas fabriquetas
da região. A outra parte destina-se à produção
de queijos e derivados, que são comercializados nas feiras
locais e nos municípios vizinhos.
A
segunda atividade econômica mais importante é a agricultura,
destacando-se a cultura de milho, feijão, milho + feijão
(que ocupam grande percentual da área de lavoura do município:
14.271 hectares), algodão, mata, sorgo, capim búffel,
capim pangola, palma forrageira, leucena, pasto nativa.
O
setor secundário no município ainda é pequeno,
mas tende a crescer, tanto em tecnologia quanto em espécie.
A cidade possui fábricas de sacolas plásticas, de
artefatos de cimento, de esquadrias de metal, de móveis
de metal e madeira, de artigos de tricô e croché,
de chapéus, gorros e bonés e de vassouras. Possui
algumas confecções de roupas. Produz ainda derivados
da mandioca, conservas de frutas, pães, biscoitos e bolachas,
sorvetes e picolés.
O
comércio do município, já em processo de
franca expansão, atende sobremaneira à demanda interna
e aos municípios vizinhos, embora ainda dependa de alguns
produtos do setor secundário vindos de outras regiões
como Aracaju, Itabaiana, Tobias Barreto, Estância e Caruaru,
no Estado de Pernambuco. Produtos primários também
são adquiridos de Ribeirópolis, Moita Bonita, Canindé
do S. Francisco, Lagarto e Arapiraca.
A
feira livre, realizada aos sábados, é a mais importante
da região. A localização do município
permite a convergência de comerciantes vindos de boa parte
da circunvizinhança: Ribeirópolis, Moita Bonita,
Capela, Aquidabã e Nossa Senhora das Dores. A feira atrai
principalmente consumidores dos municípios de Monte Alegre,
Gracho Cardoso, Gararu, Poço Redondo, Canindé, Feira
Nova e Porto da Folha. Nela destaca-se o comércio em grosso
de queijo, manteiga, frutas, cereais e farinha de mandioca.
Observe
o pequeno histórico cronológico dos fatos relevantes
para as pessoas do município ao longo de seu desenvolvimento
durante o século XX:
| 1904
– Construção da primeira capela
no então povoado “Boca da Mata”.
1905 – Realização da 1a. Festa dos
Reis Magos pelos habitantes do povoado.
1906 – O Pe. Francisco Gonçalves Lima traz
a imagem e o sino da capela.
1912 – O bispo de Aracaju, D. José Tomaz,
visita o povoado em Santa Missão e funda o apostolado
da oração.
1919 – Realização da 1a Feira Livre
da cidade.
1922 – O povoado passou a 2º Distrito de
Paz do município de Gararu – lei 835, de
06 de fevereiro.
1924 – Providenciada a Agência do correio
pelo Bispo de Aracaju.
1928 – Criado o município de Nossa Senhora
da Glória, no dia 26 de setembro, lei n.º
1014.
1929 – Posse do primeiro prefeito (Intendente).
Chegada pacífica de Virgulino Ferreira (Lampião)
à cidade.
1950 – Construção do primeiro mercado
público.
1957 – Criação da comarca de Nossa
Senhora da Glória lei 823, de 24 de Junho. Construção
do templo Batista pela iniciativa de Nelson Bonaparte.
1959 – Criação da paróquia
de Nossa Senhora da Glória, sendo o Pe. Jorge
Amaral o primeiro pároco oficial.
1961 – Inauguração do primeiro Ginásio
no Município, denominado Nossa Senhora da Glória.
1964 – Instalação da EMARTC-SE,
atual EMDAGRO (Empresa de Desenvolvimento Agropecuário).
1965 – Inauguração da Agência
do Banco do Brasil.
1978 – Criação da bandeira e do
escudo do município – Lei n.º 318,
de 02 de outubro.
1981 – Instalação da Agência
do Banco do Nordeste do Brasil.
|
Observe
também a tabela abaixo das atividades culturais realizadas
no município:
Atividades Culturais
|
Janeiro |
06 |
-
Festa de Santos Reis – Apresentação
de grupos de Reisado, feira de comidas típicas, pescarias,
quermesses, bazar etc. |
| Abril |
15 |
-
Domingo de Aleluia – Apresentação cultural,
paixão, morte e ressurreição de Cristo
( Grupo teatral Agnus-Dei). |
| Junho |
14 |
-
Corpus Cristi
- Forró da Paz
- São Pedro – Concurso municipal de quadrilhas
juninas, casamento do matuto, feira de comidas típicas,
apresentações artísticos.
|
| Agosto |
15 |
-
Festa da padroeira de Nossa Senhora da Glória –
Tradição histórica da cidade: novenário
festivo, procissões com bandas de música e
apresentações. |
| Setembro |
26 |
-
Emanicipação política de Nossa Senhora
da Glória – Festejos alusivos à história
da cidade ( grupos folclóricos, desfiles, teatro
– ligados à cultura municipal).
|
| Dezembro |
25 |
- Natal – Após a missa do galo, Sonetos e dramatizações
natalinas (Grupo de Teatro Agnus Dei). |